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Mais Beja

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25
Jun17

Beja Merece +, num país que é Lisboa

Mais Beja

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Beja, ainda não se realizou plenamente, e quem cá vive sente isso na pele. O motor de qualquer cidade ou região, em Portugal, é o Estado. O governo central. O poder político. Lisboa. Podem ser dados vários nomes, mas o “dono disto tudo” é o mesmo. O próprio investimento privado surge graças ao apoio do Estado e ajuda dos vários Ministérios e seus governantes que se encontram em Lisboa. Com esta forma de governar, centralista, inigualitária, não há justiça social e económica no resto do país.
Há vários temas que poderia abordar, que refletem o abandono do governo central sobre a cidade e a região. Excluindo o Alqueva, que tem como objetivo tornar a região novamente o “celeiro” de Portugal do séc. XXI, através da água, irei focar apenas na questão das acessibilidades. Beja, capital do maior distrito de Portugal, tem acessos vergonhosos, sem segurança ou capacidade de resposta às necessidades, capazes de afastar empresas ou turistas, criando uma enorme desigualdade territorial. O Estado insiste em manter a situação de laxismo e abandono, enquanto Lisboa, recebe investimentos astronómicos. Como exemplo, destaco o último grande investimento anunciado: “Metro de Lisboa vai ter duas novas estações em 2021/2022: Estrela e Santos”. Lendo a notícia, constatamos que o metro de Lisboa irá crescer 1.900 metros, com um custo estimado de 216 000 000 00€.
Só a ligação Beja – Autoestrada A2, representa 55 km de acessos rodoviários de qualidade, que não temos, num país, em que todas as restantes capitais de distrito estão ligadas por autoestrada, criando uma injustiça exclusiva sobre nós.
Depois, há a ligação ferroviária entre Beja – Lisboa, ou, na situação atual, entre Beja – Casa Branca – Lisboa. A primeira ligação,  Beja – Casa Branca, é realizada em condições péssimas de segurança, conforto e salubridade, com comboios do século passado. Será que os governantes de Lisboa utilizam telemóveis, carros, roupa do século passado, pagos por nós?

A culpa, é do governo central que nunca olhou para a cidade como um centro importante de votos, capaz de decidir uma eleição. Porquê investir numa região, criando uma perceção positiva na população relativamente a quem nos governa, se o nosso distrito apenas representa 3 deputados na assembleia da república? Quando temos Braga (elege 19 deputados), Setúbal (elege 9 deputados), pensarão os "táticos" dos partidos.
Em suma, o atraso ou progresso, é definido por quem nos governa. E só mudará, quando quem nos governa parar de agir como se Portugal fosse Lisboa e o interior do país não existisse.

 

Por outro lado, há os bejenses, que olham com igual desdém para a cidade porque esta não tem um centro comercial, com lojas de marcas estrangeiras, atoladas em produtos made in china, como se isso fosse vital a qualquer ser humano. Vital é a saúde, justiça, segurança, cultura, desporto, lazer, habitação e emprego. E essas “virtudes”, muito ou pouco, temos. O maior flagelo na região é sem dúvida o desemprego, que tem um impacto social e humano negativo na vida das pessoas e famílias e as acessibilidades (rodoviárias e ferroviárias) como motor de desenvolvimento económico. E ambos os problemas, só poderão ser resolvidos com apoio do governo central.


Amo a democracia e a liberdade de podermos escolher o nosso futuro, mas quase que ousaria em nunca mais votar numas eleições legislativas, como forma de protesto, tal é o desprezo para com a nossa região e seu povo. Mas não o vou fazer. Continuarei a fazer algo pela cidade e região.

 

Parabéns ao movimento Beja Merece, criado e desenvolvido pela comunidade, pelo trabalho e altruismo de pessoas anónimas!