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Mais Beja

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03
Out17

Eleições autárquicas 2017: O que aconteceu?

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A minha análise divide-se em 3 pontos-chave: Beja mudou, PS ganhou e a CDU, ou melhor dizendo, o PCP perdeu.

 

Beja mudou:
Os bejenses estão diferentes. Os mais velhos vão partindo e os que cá ficam pensam de forma diferente do passado. Passado em que o PCP está preso, quer nas ideias, quer na forma de comunicar e fazer política. Apesar da perda de população, os jovens/adultos que cá residem querem uma cidade moderna, que ofereça emprego, qualidade de vida e futuro. Não lhes chega uma rua arranjada, uma praça nova ou uns concertos grátis. Sabem que isso não chega para evoluir e exigem mais ao poder político. São também mais críticos e exigentes com cada uma das medidas tomadas pelos governantes.
Se a tradição era votar CDU porque sim, estas eleições provaram que os bejenses votam nas pessoas e projetos, e não por clubismo ou fanatismo, como no passado.

 

Partido Socialista ganhou:
Mesmo com o trauma da governação do Pulido Valente, Paulo Arsénio soube fugir a esse passado e impor a sua visão e proposta governativa de forma clara e simples. Não prometeu mega-projetos ou mega-mudanças. Apenas manter o que está bem e fazer diferente no que estava mal. Ouviu as pessoas da cidade e foi sincero com o eleitorado. Soube atrair as pessoas, em especial os jovens e as mulheres, que cada vez têm mais peso na política local, regional e nacional. Paulo Arsénio fez uma campanha próxima das pessoas e competente, ao contrário de João Rocha, distante e frio.
A corroborar, está o facto de o PS Beja ter tido mais votos, subindo de 7.135 em 2013 para 7.728 em 2017, (+ 593 votos). Ou seja, não só ganhou, como teve mais apoio/votantes comparativamente há 4 anos. Além disso, nestas eleições existiram mais 2 partidos nacionais, (o CDS-PP, que costuma coligar com o PSD e o BE), indo sempre roubar votos.
O PS local também ganhou os outros dois órgãos locais, a Assembleia Municipal e a Assembleia de Freguesia, que estavam nas mãos da CDU.

 

Partido Comunista Português/Coligação Democrática Unitária perdeu:
João Rocha e a sua equipa ficou à espera que as festas, concertos, desfiles carnavalescos, foguetes, "os votos de sempre" e várias promessas não cumpridas fizessem o seu papel de iludir o eleitorado, bastando algumas ruas renovadas e concertos grátis para agradar o povo. Falhou. E, ao contrário do PS, não apresentou programa eleitoral, revelando total desprezo e snobismo face ao eleitorado bejense, mais jovem e exigente. Perdeu por falta de estratégia, arrogância e capacidade de ouvir as pessoas.
Perdeu também em termos de votos, passando de 7.438 em 2013, para 6.284 votos em 2017, um saldo negativo de 1.154 votos (!!!), algo impensável na cidade, e na organização comunista a nível regional e nacional.


Em suma, não foi só o Paulo Arsénio que ganhou, foi João Rocha que perdeu a Câmara Municipal de Beja.

 

Paulo Arsénio nunca desempenhou funções executivas, sendo esta uma tarefa difícil, mas possível, porque o impossível era este vencer João Rocha, que aconteceu, com larga margem de votos (+1.444).

 

Será que o PS/Paulo Arsénio vai mudar a cidade de Beja? Terá 4 anos de maioria absoluta, um clima económico e financeiro, regional e nacional, favorável e pertence à mesma cor política do governo central. Ou seja, tem tudo a favor para 4 anos de governação, de mudança e sucesso.