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Mais Beja

Mais Beja

15
Set17

Passado 4 anos, o concelho de Beja está melhor?

Castelo de Beja (45).JPG

 

A questão é controversa, geradora de amores e ódios. Como um Benfica vs Sporting. Os benfiquistas dirão que o Benfica é o maior. Os sportinguistas dirão que é o Sporting. Mas o importante é refletir e olhar para a nossa cidade, e nada melhor que fazer a pergunta certa: Estamos melhores, comparativamente há 4 anos atrás?


Chamando as “coisas” pelos nomes, o atual executivo CDU, liderado pelo João Rocha, fez um trabalho positivo, mas insuficiente.

1) A cidade tem mais vida. Graças à capacidade de mobilizar as pessoas para saírem à rua e participarem nas atividades organizadas pela Câmara. Sim, já sei que vão dizer, que tudo se deve as feiras, festas a santos e festivais de temas duvidosos e concertos de música pimba todos os meses. E? O povo não gosta disso mesmo? Ou vão dizer, como a história da “Casa dos segredos” e as telenovelas da SIC e TVI, que ninguém em Portugal vê, mas são os programas líder de audiência? O povo gosta, então, é dar aquilo que o povo gosta.

2) A cidade está mais agradável e limpa. Sim, certos edifícios/locais da cidade estão melhores, com um trabalho simples, e que é responsabilidade inteira da Câmara: limpeza, conservação de ruas e manutenção do espaço público. Os jardins, praças e pracetas, ruas e matas, estão mais limpos e há periodicamente limpeza e manutenção do espaço, sendo mais agradável observar e passear. Dou o exemplo da mata da Força Aérea (bairro dos Alemães), que nunca tinha visto sem a pastagem seca e os bancos limpos. Outro aspecto importante, foi a criação de pequenos jardins junto das casas e prédios. Além de visualmente ser mais bonito, criam-se espaços funcionais, para os idosos se sentarem ou as crianças brincarem.

3) Obras e investimento. Sim, há obras que foram realizadas e estão a melhorar a cidade. A torre de menagem do Castelo de Beja, foi restaurada. Muitos políticos falaram sobre o tema no passado, mas ninguém fez nada. E falar é fácil, criar, mudar, conceber, é mais difícil, e isso só este executivo o fez. Destaco também o futuro Centro de Arqueologia, que permitiu a renovação de 2 edifícios na Praça da República, e a descoberta da antiga Casa da Moeda de Beja. Poderá ser a partir daqui que se iniciará o esperado dinamismo económico com o turismo, restauração e hotelaria.

4) As aldeias e freguesias fora da cidade de Beja receberam um enorme investimento, em parceria com a EMAS, na melhoria da circulação e qualidade de vida nas localidades em redor da cidade de Beja, com a realização de pequenos investimentos, como jardins e ruas.

 

Poderíamos estar melhor? Sim, muito ficou por fazer, infelizmente.
1) A biblioteca municipal de Beja continua sem receber as devidas melhorias em todo o edifício, como novos espaços, nova mobília e mais locais para estudar, adaptado as novas necessidades, como acesso adequado e rápido à internet.

2) Faltam Centros de Dia em outras zonas da cidade. A cidade não é grande, mas o acesso por parte dos idosos e pessoas com limitações dificulta o acesso ao único centro de dia, que se situa em frente ao castelo. Ora, uma pessoa idosa, sem carro, e fracos recursos, que viva no Bairro da Conceição ou na Rua Sousa Porto (junto à escola Mário Beirão), como vai ao Centro Social do Lidador?

3) O centro histórico continua decrépito e sem a reabilitação necessária. Houve obras pontuais em alguns locais e edifícios, mas no geral o centro histórico parece abandonado.

4) O plano para todas a praças e pracetas na cidade foi igual: campo de futebol e/ou parque com escorrega e baloiços. Mais nada de novo ou diferente (campos de ténis, coretos, etc), chegando-se ao ponto de num raio de 30/40 metros, existem 3 parques infantis iguais.

5) Pintar sinalética na estrada e arranjar 3 canteiros e dizer que é “Obra feita” é no mínimo um atestado de pobreza de inteligência aos bejenses. Porque essas obras, básicas e simples são importantes, é verdade, mas fazem parte das funções básicas e diárias de um governo local.

6) O mercado municipal de Beja, mantém-se velho, decrépito, com ocupação reduzida, sem novas áreas ou melhoria dos principais espaços, como a zona dos legumes, fruta e peixe ou cafés e lojas.

7) Ausência completa de incentivos à natalidade, como incentivos financeiros e fiscais ou criação de creches e ATLs municipais.

8) Falta de visão e estratégia para o turismo na cidade. O turismo tem efeitos muito positivos na recuperação do edificado, aumento do investimento, no crescimento das receitas da restauração e hotelaria, e em outras atividades, gerando muitos emprego, e nesse tempo a câmara pouco ou nada realizou. Enquanto isso, outras cidades e vilas do Alentejo criaram programas fortes e vastos de promoção turística com ganhos incríveis. Basta observar o que se tem feito em Mértola, com um trabalho simples, mas surpreendente, fazendo com que muito turistas venham ao Baixo Alentejo apenas para conhecer essa vila, sem parar por Beja, capital do distrito e cidade com imensa história e riqueza.

9) Ausência completa de um programa capaz de manter ou atrair jovens para a cidade. Em 4 anos, não foi criado um único programa de incentivo à fixação de jovens ou jovens empresas na cidade, não havendo, por exemplo, um espaço de coworking, em que é possível ter um espaço de trabalho por um custo baixo para os jovens lançarem as suas ideias e negócios.

10) Protesto insuficiente da Câmara na defesa das acessibilidades à cidade e inexistência de qualquer luta na defesa dos serviços de saúde, em especial do hospital José Joaquim Fernandes, peça chave na qualidade de vida dos bejenses e de todo uma região, que vai de Vila Nova de Milfontes a Barrancos.

11) Despesismo cego e ainda não quantificáveis em festas e eventos que nada têm haver com a cidade ou as pessoas que nela residem e, passado os dias em que duram esses eventos, o efeito do seu enorme investimento desaparece, não sendo duradouro no tempo, como seria a abertura de uma creche municipal ou de um museu sobre o cante. Temos, como exemplo, e nas próximas semanas o Salão do Cavalo e o Campeonato Europeu de Horseball.

 

Várias outras áreas e pontos da cidade poderiam ser relatados, mas de certo que os fiz ao longo dos últimos 4 anos aqui no blogue.


Em suma, houve ganhos para a cidade e freguesias rurais, mas muito ficou por fazer, não se conseguindo elevar a auto-estima e confiança dos bejenses, perdendo-se 4 anos sem que houvesse melhoria na qualidade de vida dos bejenses. Outro dado avassalador é a saída de muitos jovens, como comprovam os números oficiais. Mas não seriam necessários os números oficiais, sendo suficiente olhar em volta e ver a cidade quando não há festas, feiras e desfiles carnavalescos.