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Mais Beja

Mais Beja

01
Jul14

Porque Beja está a morrer

 

Várias pessoas não-residentes falam comigo sobre a cidade e dizem o que vêm e sentem cada vez que a visitam. As opiniões são unânimes: "Beja está morta”, “no meu tempo não era assim, tinha vida”, “não há lojas”, “as ruas estão vazias”, “que se passa em Beja que não há pessoas na rua ao fim-de-semana”, e “as Portas de Mértola desapareceram". E, doa a quem doer, é a pura realidade. Em Beja não nascem empresas, não cria emprego, não traz turistas. Em resumo, não aparece nada de novo, tirando uma ou outra loja que abre, e pouco tempo depois fecha.

A culpa será apenas da crise? Não. Basta visitar a cidade de Évora, e constata-se rapidamente que a cidade não está morta ou foi afetada pela crise. Nas principais ruas da cidade, não há uma única loja/comércio fechado e poucos são os prédios devolutos. O oposto ao que se assiste no centro histórico de Beja.

O que Évora tem e Beja não? Évora sempre investiu fortemente no turismo, gerador de emprego e negócios em restaurantes, alojamento, pastelarias, lojas de lembranças, etc. Para se ter uma noção, Beja tem 9 alojamentos turísticos e Évora tem 38. 4 vezes mais hotéis, pensões ou pousadas, no entanto, Évora não é 4 vezes maior, nem tem 4 vezes mais monumentos e pontos de interesse que Beja.

Outra pilar, é a Universidade de Évora, tendo atualmente cerca de 8800 alunos, enquanto o IPB deverá ter cerca de 2500 alunos. Novamente, quase 4 vezes mais alunos. Alunos provenientes de toda a parte do País e do Mundo estudam e vivem na cidade, gerando negócios nos restaurantes, bares e cafés, arrendamento de casas, aquisição de bens e serviços, etc.

O terceiro pilar é a indústria. Quantas fábricas existem em Beja? Uma. A Alentubo responsável pela produção dos tubos para o sistema de rega do Alqueva e emprega 40 pessoas.

Em Évora, a Embraer, produtora de componentes para aviões, emprega 600 pessoas; a Tyco, emprega 1500 pessoas; a Kemet, 150; e a lista continua.

Para que a cidade não morra, Câmara, empresas privadas, investidores, Estado, necessitam unir-se e trabalhar para atrair empresas capazes de gerar negócios e emprego. Depois, há um efeito multiplicador em toda a cidade. Não basta organizar o “Beja Romano” porque isso não gera emprego e os negócios só duram 2 dias. Esse tipo de festas, concordo, em aldeias e vilas. Beja, capital do maior distrito do País, necessita fazer diferente e grande: Ovibeja, por exemplo.

Se Évora conseguiu, Beja também pode conseguir. Se não o fizer, tornar-se-á uma cidade sem jovens, onde quem vive nela, são apenas os funcionários que trabalham para os vários serviços públicos: hospital, escolas, tribunal, polícia, etc. E isso não chegará, porque o Estado está a ser desmantelado, eliminando ou concentrando cada vez mais serviços públicos. Nenhuma cidade vive apenas de emprego público e de emprego privado com baixo salários: hipermercados, stands de automóveis, call centers ou lojas de roupa.

 

Há que pensar e discutir a cidade para além do óbvio e fácil. É necessário ter um olhar global e realista.

Morremos ou vivemos. A escolha é feita por quem consegue fazer a mudança.

 

Leia também: Porque Beja está a morrer (segunda parte)

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