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Mais Beja

Mais Beja

14
Nov17

Será que o Baixo-Alentejo pertence à Nigéria?

Mais Beja

Estrada Porto Peles 2.JPG

 

Muito se tem falado sobre o Orçamento de Estado para 2018, mas quero focar 2 pontos-chave:
- O Baixo-Alentejo, excluindo o Alqueva e o regadio, continua esquecido e afastado de investimentos públicos, em áreas essenciais como as acessibilidades e a saúde. A autoestrada e a ferrovia continuam sem qualquer investimento capaz de melhorar a vida das pessoas e empresas no maior distrito do país. No mês passado, o Governo, em geral, e o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, em particular, anunciaram “O investimento ferroviário de grande escala está de regresso ao nosso país” e “requalificar toda a rede ferroviária, pondo fim a um período de cinco anos sem investimentos significativos no setor.”
As afirmações advêm de um investimento total de 2 mil milhões de euros, comparticipado em dois terços pela União Europeia, nos próximos 5 anos. Ora, quanto desse dinheiro vem para Beja? Zero euros. Sim, há 2 mil milhões de euros, mas nada vem para cá. Pergunto: não somos parte desse país, chamado Portugal? Não somos também cidadãos europeus? Não pagamos os nossos impostos? Então porque ficamos de fora do progresso, desenvolvimento e coesão territorial?!
O serviço público de saúde na região continua a degradar-se, tendo-se assistido à recente saída de vários médicos da ULSBA/Hospital José Joaquim Fernandes, tornando o sistema mais debilitado e dependente do envio de utentes, já recorrente, para os hospitais públicos de Évora ou Lisboa. Outro facto nefasto, é o aparelho de TAC do hospital encontrar-se várias vezes avariado e sem funcionar, bem como continuar a não existir aparelho de Ressonância Magnética. Já para Évora foi dado início ao projeto de construção do novo hospital, num investimento de centenas de milhões de euros.
Em suma, há dinheiro. Está é todo concentrado nas regiões mais populosas/votantes do país.

 

- Em segundo, o paupérrimo aumento do salário mínimo de 27€/mês, ou seja, menos de 1€ por dia é quanto as pessoas irão ser aumentadas. Não vou falar do custo de vida da população portuguesa porque todos sentimos na carteira os constantes aumentos nas despesas essenciais, mas das pessoas que recebem o salário mínimo, gente pobre e explorada que vai continuar a ser pobre e explorada, ou seja, nada vai mudar.

A classe média continuará a ver o seu trabalho e frágeis salários, serem sobretributados, como se ganhar mil euros/mês fosse uma fortuna, sendo, como tal, violentamente confiscada. Neste ponto fulcral, promotor de bem-estar humano, social e familiar, faltava reconciliar o cidadão com os impostos e a União Europeia, olhar finalmente para as pessoas que tanto massacrou durante a crise financeira, tendo empurrado a classe média e os pobres, para mais pobreza. Não espanta, portanto, o crescimento da popularidade de partidos extremistas. Qualquer ser humano revolta-se quando é atacado.

 

No meio da discussão, fico estupefacto com a hipocrisia do PSD e CDS que adora passar por boa gestora e próxima dos pobres, idosos e classe média, quando teve um papel desastroso na economia e famílias portuguesas durante 2011-2015.