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Mais Beja

27
Fev21

2021: Ano de eleições autárquicas

Eleições autárquicas 2021.jpg

Este ano, além do ano de pandemia de COVID-19, é também ano de eleições autárquicas, com muita agitação política. Beja, não é exceção, e já começou o “frenesim” político, com várias movimentações, surpresas e curiosidades. Assim, começo por destacar:
1) A página de facebook da Câmara Municipal de Beja só divulga e partilha informação sobre a COVID-19. Não aborda execuções, obras ou futuros projetos na cidade.
2) Pelo contrário, a página pessoal de facebook do Presidente Paulo Arsénio, divulga, numa enorme exaltação, obras e projetos na cidade, numa óbvia declaração de abertura de campanha. É censurável? Não, é o que todos fazem, políticos e não-políticos: autopromoção.
3) Nos últimos 4 anos, o executivo lançou obras que não constavam no seu programa eleitoral de 2017 e, pouco executou por completo, relativamente ao que tinha prometido. Isto sim é censurável.
4) Em vários casos enviei e-mail ao executivo da câmara municipal, de forma educada, séria e cordial, para entender o que se passava, sendo que nunca recebi uma resposta. Ou seja, a via de comunicação é apenas numa direção: executivo -> eleitores. E isso, em política, em pleno século XXI, é uma falha gigante e inadmissível para com os eleitores, que por vezes, provocam derrotas eleitorais.
5) Esta semana, um membro do Partido Socialista referiu numa rádio local que há uma “caça às bruxas na cidade de Beja” (Rádio Pax), relativamente ao facto de o atual executivo da Câmara Municipal de Beja ser alvo de críticas. Ora, quem não aceita críticas, então não deve nem sair de casa, porque hoje em dia, qualquer trabalhador, dirigente, chefe ou político é alvo de um elevado escrutínio e comentários, positivos e negativos, seja um médico num centro de saúde, presidente de junta de freguesia, funcionário num restaurante, operador de caixa de supermercado, etc. Portanto, faz parte da vida de qualquer ser humano, ser alvo de críticas, positivas e/ou negativas.
Como é lógico, a mentira, injúria, maldade, mesquinhez ou o "diz-que-disse" não entram neste rol, não sendo admissível tais impropérios, que de forma vil, atacam pessoas e respectivas famílias.

 

Nos próximos meses, abordarei em pormenor os últimos 4 anos do executivo camarário e as eleições autárquicas deste ano.

22
Fev21

Falta de civismo no estacionamento em Beja (e no resto do país)

Estacionamento em cima do passeio Beja (2).png

FONTE: GOOGLE MAPS. Rua Diogo Gouveia, Beja.

Para introduzir o tema, vamos ver o significado de 'Civismo', de acordo com o priberam: “Zelo em contribuir para o interesse público. Respeito pelos valores de uma sociedade, pelas suas instituições e pelas responsabilidades e deveres do cidadão.”. Feita a introdução, vamos à realidade:
Nós portugueses, somos exímios a elogiar o que vem de fora ou que observam além-fronteiras. Falam de França, Inglaterra, Suíça ou Áustria, como o expoente máximo de civismo, organização e limpeza. São o paraíso aos olhos dos portugueses. É a velha conversa do “lá fora é que é bom”. Mas depois, quando regressamos a Portugal, não importamos esses hábitos, gastando milhões de horas a falar bem dos outros, mas a praticar tudo o que está errado.
Estacionar o carro em 2ª fila, em cima do passeio ou colocar 2 rodas na estrada e 2 rodas em cima da calçada, tornou-se desporto local. Tem mais praticantes que as caminhadas e corridas ao longo da ciclovia ou no parque da cidade de Beja. Seja em zonas movimentadas, centro histórico ou bairros totalmente residenciais, vemos um uso abusivo e desrespeitoso dos passeios, sendo que na maioria das vezes, é difícil meter uma moto em cima do passeio tal é a sua largura. Mas, no expoente máximo do “engenho tuga” e da “valentia lusitana que descobriu novos mundos”, conseguimos meter 2 ou mais carros, onde nem uma bicicleta cabia.
As pessoas? Essas que andem no alcatrão, ao lado de carros a 50 km/h e a fazer razias, que só a tal “sorte tuga” consegue, não atropelar ou matar outro ser humano.
Para aumentar ainda mais o “engenho e esperteza tuga”, todos os que estacionam o carro indevidamente têm sempre uma justificação que se centra em si próprio, ou seja, no seu umbigo, esquecendo todos os outros: moradores, carrinhos de bebé, deficientes, idosos, crianças, etc. Basicamente, vivemos com o espírito de “os outros que se lixem!”, esquecendo por completo, que os outros somos nós.

 

Outra falta de civismo, é as pessoas colocarem o lixo doméstico nos caixotes do lixo de rua (os pequenos), e não nos moloks ou contentores de lixo urbano (grandes e verdes). Basta observar o que se passa no centro histórico ou na Rua General Teófilo da Trindade, em Beja.

 

É fundamental mais empenho das autoridades locais, câmara municipal e polícia de segurança pública (PSP), para fiscalizar e sancionar quem incorretamente estaciona os carros nos passeios ou deposita o lixo doméstico em caixotes de rua. De certeza que nos países acima referidos, as autoridades são severas e nada permissivas com a ausências de civismo.

 

Em suma, em termos de civismo, somos muito bons lá fora, mas muito maus cá dentro.

Estacionamento em cima do passeio Beja.png

 

09
Fev21

Futuro hospital privado de Beja – Sintoma da falha do Sistema Nacional de Saúde

Ampliação do Hospital José Joaquim Fernandes -

FONTE: BETAR

 

A presente publicação não pretende ser contra o futuro hospital privado de Beja, do grupo HPA, porque em qualquer estado democrático e desenvolvido, deverá sempre existir a iniciativa privada e a liberdade de escolha de cada cidadão. Mas porque surge um hospital privado em Beja ou noutro ponto do país?
Os hospitais privados surgem devido ao facto de o Estado, através do SNS, não dar resposta e não corresponder às expectativas dos cidadãos, que pagam, diretamente (taxas moderadoras) ou indiretamente (elevados impostos), os cuidados de saúde, que recebem ou receberão. Ou seja, surgem porque há falhas no sistema de saúde. No Reino Unido, praticamente não há sector privado na saúde, porque o NHS (National Health Service), presta serviços de saúde universais, rápidos, eficazes, de elevada cobertura e qualidade, respondendo às necessidades de milhões de cidadãos.
O orgulho, provinciano, de ter um hospital privado, é o sintoma do abandono político no SNS.

O Hospital José Joaquim Fernandes (HJJF), o único hospital do Baixo Alentejo, e que só por este simples facto deveria merecer mais investimento do Estado, apresenta elevadas carências em todas as áreas: falta de recursos humanos (médicos de várias especialidades; falhas de serviços essenciais por falta de médicos ou só haver 1 ou 2 para determinada especialidade), equipamento (os atuais são velhos e desatualizados), camas e serviços especializados (ex.: cuidados paliativos ou a prometida abertura da hospitalização domiciliária), tendo-se tornado um “hospital-pobre-contetor”, porque se antes já realizavam as consultas externas de pediatria ou a equipa de Cuidados Paliativos Beja+ tem a sua “sede” em contentores, problema que persiste há vários anos, hoje temos a urgência covid e a urgência pediátrica covid também em contentores.

Em suma, o não investimento no SNS, em geral, e no HJJF, em particular, abre duas grandes fendas: 1) Impõe-se a entrada de privados, levando à saída de profissionais de saúde do público, tornando o SNS mais frágil. 2) O acesso a cuidados de saúde melhores e céleres são transferidos para o sector privada, excluindo pessoas de classe média, baixa ou pobre, sem seguro privado ou ADSE, deixando esses cuidados para as classes média-alta e alta, terminando por completo a universalidade e equidade no acesso aos cuidados de saúde. Estamos perante a criação de 2 níveis de cuidados de saúde em Portugal: um para ricos e outro para carenciados.
Outro problema social, é a revolta das pessoas ao não terem acesso a bens de primeira necessidade. A constituição do SNS após a ditadura foi um pilar de paz, harmonia e progresso da nação, tendo-nos tornado um país melhor só por esse facto, sendo que até hoje, apesar de algumas falhas e má fama, o SNS é acarinhado por todos os portugueses, sendo uma das áreas que nos coloca no top mundial, sendo inclusive alvo de notícias e estudos bastante elogiosos.

Como disse no início, não sou contra hospitais privados ou qualquer iniciativa privada. Sou contra, o público perder qualidade através do abandono e desinvestimento em recursos humanos, materiais, equipamentos e infraestruturas, “empurrando” os portugueses para o privado, com enormes custos, excluindo uma grande parte da população a cuidados de saúde de qualidade e com tempo de resposta aceitável.

 

É fundamental haver pressão das comunidades locais, grupos de interesse, como por exemplo, associações ou partidos políticos, de forma a pressionar os governantes a investir no SNS. Porque no final, quem garante a saúde e cuidado de todos nós, e bem se vê na pandemia do COVID-19, é o Estado através do SNS.

 

A imagem desta publicação, representa o projeto de expansão do Hospital José Joaquim Fernandes, de 2004. Estamos em 2021…