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Mais Beja

28
Set21

Autárquicas 2021: Comentário aos resultados

Câmara de Beja (2).JPG

FOTO: MAIS BEJA

 

INFORMO QUE NÃO CONHEÇO PESSOALMENTE NENHUM DOS CANDIDATOS, NEM PERTENÇO A NENHUM PARTIDO OU CANDIDATURA, SENDO A MINHA AVALIAÇÃO LIVRE E SEM INTERESSES ESCONDIDOS, FAZENDO UMA AVALIAÇÃO JUSTA, QUE, COMO TUDO, PODE CONTER ERROS.

 

Paulo Arsénio (PS) - O incumbente ganhou, mas o resultado foi mau: perdeu a maioria absoluta na Câmara, elegendo menos um vereador (3), tendo agora os mesmo que a CDU; perdeu a maior Junta de Freguesia do concelho para a CDU; e face a 2017, o PS teve menos 1.392 votos para a Câmara. Foi mau. Só não foi muito mau porque manteve a presidência na Câmara e tem agora 7 Juntas de freguesia (em 2017 tinha 5).

Porquê este resultado? O PS não perdeu apoiantes socialistas, uma vez que o partido não está contra Paulo Arsénio. Parte dos votos “voltaram” para o PSD, que apresentou um candidato forte, algo raro em Beja. Outra parte, os votos dos independentes, foram para o PSD e Chega.

O atual presidente rodeou-se dos seus vereadores e apoiantes mais próximos e esqueceu-se de ouvir e falar com os cidadãos, os bejenses que vivem, votam, pagam impostos e contribuem, de inúmeras maneiras, na vida da cidade. Paulo Arsénio e a sua equipa esqueceram-se destas pessoas e agora os bejenses enviaram-lhe a “factura”.

Enviei dezenas de e-mails e nunca obtive uma resposta. E-mails sempre cordiais, educados, uns com críticas, outros com ideias, questões, sugestões ou erros que encontrei na cidade. Respostas? Zero.

Demonstrou uma atitude de superioridade, fechando-se no “castelo” da Câmara, num país que olha mal para gente snobe. Agora, Paulo Arsénio tem 4 anos para mudar. Se não, daqui a 4 anos, ele e o PS perderão a Câmara para a CDU.

Outro evento que penalizou o PS local, foi a vinda do António Costa a Beja. António Costa veio na condição de Secretário-Geral do Partido Socialista, não como Primeiro-Ministro, como ele explicou. Ora, o povo não é estúpido! Todos viram que quem veio, foi uma única pessoa, que é Secretário-Geral do PS e Primeiro-Ministro, que nada deu, até hoje, ao distrito de Beja. Nem deu qualquer justificação sobre o facto de após tantas promessas, nenhuma ter sido concretizada. E os militantes do PS, também não lhe perguntaram. Preferiram falar da regionalização, um tema que apenas faz barulho. Mais nada.

Na Assembleia Municipal, o PS perdeu 1 eleito, ficando agora com 9. Aqui, também não tem a maioria absoluta, tornando a gestão autárquica algo insegura.

 

Nuno Palma Ferro (PSD/CDS/PPM/IL/A) - Mereceu a eleição como vereador, lutando contra um incumbente, num concelho de esquerda. Outra dificuldade foi a coligação não apresentar candidatos nas Juntas de Freguesia rurais, perdendo aí força e votos. Para se ter uma noção, o PSD conseguiu apenas 342 votos nas freguesias rurais, quando a CDU e PS conseguiram 2.236 e 2.300, respetivamente. Em 2025 terão de apostar nessa área.

Se tivesse escolhido membros mais competentes e menos em pessoas sem mérito, teria tido mais votos. Numa cidade pequena, todos sabem quem são, e houve caras que afastaram votos.

Agora, Nuno Palma Ferro deve continuar a mostrar qualidade e competência, como vereador (sem pelouro), tendo ai um palco importante.

 

Vítor Picado (CDU) - O PCP, local, regional e nacional tem de repensar tudo. Dúvido é que mude. Prova disso é o facto de o Secretário-Geral do PCP ter dito ontem que não se demite. A escolha do candidato não foi a melhor, uma vez que havia, até dentro do partido, quem não o apoiasse, o que é estranho no PCP. Face a 2017, teve menos 967 votos. E de 2013 para 2021, teve menos 2.121 votos. Se isto não é mau, não sei o que será…

Ganhou a Junta de freguesia de Santiago Maior e São João Baptista, por 2 votos, que é “apenas” a maior freguesia do concelho, com cerca de 1/3 da população do concelho, com um excelente trabalho de Miguel Ramalho. Ganhou votos ao PS e PSD, algo que Vítor Picado não fez. Aqui, o PCP tinha um candidato mais competente à Câmara, que preferiu colocá-lo como candidato a uma Junta de freguesia.

 

Chega - Foi a segunda grande surpresa. Apesar da baixa percentagem (5,44%), olhando para os números, teve 880 votos. É uma surpresa, como alguém que não compareceu em grande parte dos debates, sem ideias, programa eleitoral ou conhecimento da cidade tem tantos votos. A única justificação que encontro é o voto de protesto no Chega, que se vê com a diminuição dos votos em branco/nulos, que passou de 636 (2017) para 382 (2021), ou seja, menos 40% de votos brancos/nulos.

 

Bloco de Esquerda - Candidato fraquinho, deu um resultado fraquinho. O BE passou de 573 (2017) para 274 (2021) votos, menos 50%. Ainda assim, era mais competente que o candidato do Chega.


Abstenção - No concelho de Beja, foi 43%, igualando o valor em 2017. O sistema de voto tem de modernizar-se e ser mais flexível. Não faz sentido um cidadão, por motivos familiares ou profissionais, e que não está no concelho onde reside, não poder para votar, seja antecipadamente, seja noutro concelho.

 

E assim, termino as várias publicações sobre as eleições autárquicas de 2021. Foi um prazer seguir e escrever sobre estas eleições, que, olhando para as visitas ao blogue, provocou muito interesse. Nos últimos 2 meses, com foco total nestas eleições, o blogue teve quase 8.000 visitas.