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Mais Beja

23
Set21

Autárquicas 2021: Avaliação dos cinco candidatos à Câmara Municipal de Beja

Eleições Autárquicas - 26 setembro 2021.jpg

INFORMO QUE NÃO CONHEÇO PESSOALMENTE NENHUM DOS CANDIDATOS, NEM PERTENÇO A NENHUM PARTIDO OU CANDIDATURA, SENDO A MINHA AVALIAÇÃO LIVRE E SEM INTERESSES ESCONDIDOS, FAZENDO UMA AVALIAÇÃO JUSTA, QUE, COMO TUDO, PODE CONTER ERROS.

 

Nuno Palma Ferro (coligação PSD/CDS/PPM/Iniciativa Liberal/Aliança) - Apesar do nervosismo de alguém novo nestas "andanças", apresentou-se bom comunicador, afável, simpático, competente, estando neste nível melhor do que qualquer outro candidato.

Não quis qualquer ligação ao partido Chega, afastando-se totalmente de qualquer semelhança, revelando inteligência, porque em Beja quase ninguém aceitaria tal ofensa.

Nas entrevistas realizadas, foi sempre sóbrio, inteligente, com uma visão moderna e progressista para a cidade, marcando bem uma posição oposta ao PCP. Tem visão para grandes, como para pequenos projetos. Algo tão simples, e já escrevi no blogue, é o facto de a cidade ter poucos espaços verdes, e os poucos que existem, estão localizados na mesma zona da cidade, deixando 75% da cidade sem qualquer jardim/parque público. É absurdo propor ou planear uma cidade sem espaços verdes por todo o lado.

O PSD e CDS-PP nunca tiveram grande expressão local, apesar dos seus militantes acreditarem no contrário. Neste ponto, o candidato esteve bem ao não ligar a sua candidatura “à direita”, dizendo aquilo que a maioria dos jovens pensam, isto é, que não há “esquerda”, “direita” ou “centro”. Há políticos, ideias e propostas boas, menos boas ou más. Ponto final. Mais uma vez foi inteligente ao criar um slogan, título e imagem própria, como se de um candidato independente se tratasse. Muitos dos cartazes a criticar o atual estado da cidade foram assertivos. Relembro este, em que questiona o Primeiro-Ministro António Costa como chegou, quando veio a Beja apoiar o candidato do PS. Ou seja, tem sido, sem dificuldade ou concorrência, muito mais inteligente e assertivo na campanha de oposição ao atual executivo.

Na sua candidatura, apesar de alguns "velhões" sem currículo relevante, outros com fraca competência e numa cidade pequena, todos sabem quem são. Membros e candidatos a Juntas de Freguesia sem relevância intelectual e puras colagens interesseiras. Por outro lado, soube chamar jovens da cidade, que trazem fulgor e modernidade. Beja tem um enorme défice, que é o facto da "elite", isto é, dos melhores, quererem fugir da política ou terem emigrado. Uma solução poderia ter sido um apoio de Carlos Moedas, caso não fosse candidato à Câmara Municipal de Lisboa.

O candidato tem demonstrado educação e honestidade para com o atual presidente da Câmara, Paulo Arsénio, não trazendo para a campanha a rixa, maledicência e mesquinhez, que por vezes se vê na política portuguesa.

Pode não ganhar, mas acredito que vai trazer alterações no panorama local. Dependerá sempre da base de apoiantes que conseguir mobilizar e de não cometer erros.

O programa eleitoral proposto é confuso, muito generalista e com ideias de âmbito nacional, o qual, a Câmara não tem poder ou dinheiro. Além disso, em termos de obras públicas municipais, duvido que a Câmara tenha orçamento para concretizar todas. Diria que só num prazo a 8 ou 12 anos. Exemplo: quanto custaria apenas requalificar o espaço onde existe o antigo Estádio Flávio dos Santos? Muitos milhões, de certeza. A somar às obras em curso, como o mercado municipal e as piscinas municipais descobertas, que são já 3/4 milhões. Por outro lado, apresentam várias propostas modernas e progressistas, direcionadas para os jovens.

Uma perda à priori, é o facto de a coligação não ter candidatos a nenhuma das freguesias rurais do concelho, perdendo claramente para o PS e CDU. Aqui, deveriam ter um esforço suplementar para garantir candidatos, se não a todas, mas à maioria das freguesias

Nuno Palma Ferro, deverá ter um projeto a 8 anos, isto é, conseguir um lugar de vereador, mostrar ideias e trabalho, e daqui a 4 anos, apresentar uma candidatura mais experiente, assertiva e com mais pessoas competentes.

 

Vítor Picado (Coligação PCP e Partido Ecologista "Os Verdes") - É um candidato sem fulgor, inovação, com um discurso repetitivo, desde o anúncio da sua candidatura até hoje. Não tem visão ou estratégia para a cidade, ficando atrás de todos os principais candidatos neste requisito (Paulo Arsénio e Nuno Palma Ferro). O início da campanha teve como único foco reavivar os “valores de Abril”, discurso que apenas convence as pessoas com +60 anos. Todos os portugueses com idade inferior, olham para o 25 de Abril como: 1) Feriado nacional, 2) Dia de festa, 3) Uma conquista que ninguém sabe que foi uma conquista porque sempre viveram em liberdade e progresso social.

Vários cidadãos, deixaram-se fotografar para a página oficial da CDU, demonstrando apoio à candidatura do PCP. O que diziam os cidadãos, de forma a justificar o apoio? Diziam que iam votar a CDU e passo a citar pela “paz”, “justiça”, “honestidade”, “é o único partido que garante qualidade de vida”, “competência”, entre outras palavras. Numa simples reflexão, pergunto: E o candidato do PS, BE ou PSD não têm iguais valores e princípios?

A campanha foi fraca, com palavras e frases, que são um enorme vazio, que nada acrescentam, porque aquilo que dizem querer garantir, já existe.

“Comunistas” bejenses, vamos lá a ver se nos entendemos: Portugal, não é a Rússia, Venezuela ou outro país subdesenvolvido. É um país moderno, europeu e progressista. E venha quem vier, as garantias emanadas pela Constituição Portuguesa e pelas leis europeias são sagradas. Não é preciso o PCP/CDU para nos dar algo que já temos.

A CDU mostrou que estamos perante um enorme vazio, que comprova a ausência arrepiante de massa crítica na cidade. Beja é o que é pelas pessoas que cá vivem, e isso vê-se e sente-se nos partidos.

Se o PCP quisesse mesmo ganhar estas eleições teria apresentado João Dias (deputado pelo Baixo Alentejo na Assembleia da República). Esse sim seria um grande trunfo.

 

Paulo Arsénio (Partido Socialista) - Recentemente escrevi sobre o atual presidente e recandidato pelo PS, estando ai grande parte da minha opinião sobre Paulo Arsénio: 4 anos de Paulo Arsénio na Câmara Municipal de Beja.

O atual executivo fez obra, e isso dá uma enorme vantagem numa eleição, ficando sempre uns votos à frente de qualquer outro candidato.

Paulo Arsénio e/ou o PS foram inteligentes na lista de candidatos à Câmara. A maior "pedra do sapato", o vereador envolvido numa alegada vacinação indevida, foi trocado. Não vou comentar algo que desconheço, apesar do muito escrito.

Durante a pré-campanha e campanha eleitoral (oficial), fez ataques ferozes à oposição, mesmo que esta não o tenha atacado com tanta violência, pelo menos, em público. Durante este período, ao contrário dos últimos 4 anos, explicou o porquê dos atrasos de muitas obras ou a não realização de outras. Ou seja, os bejenses tiveram de esperar 4 anos para obter respostas.

Paulo Arsénio merece ficar mais 4 anos. Não por aquilo que completou, mas porque aquilo que começou e falta terminar. Parar/adiar todos os grandes projetos por ter ganho outra cor política seria um enorme prejuízo para a cidade, juntando ao enorme passivo de sermos uma cidade do interior de um país pobre, que só olha para a capital ou cidades densamente povoadas.

 

Pedro Pinto (Chega) - Literalmente, um paraquedista. Caiu aqui (Beja) como poderia ter caído como candidato em Castelo Branco, Viseu ou Mem Martins. Calhou. Mandaram e ele foi.

Sem conhecimento. Sem ideias. Sem programa. Apenas emitiu soundbites de âmbito nacional, preocupado apenas em promover o líder do partido. A campanha, visível nos outdoors e página de facebook do candidato, é toda incorporada na imagem do seu líder, André Ventura. Na sua página de facebook foi possível ver algumas arruadas realizadas em Lisboa. Sim, em Lisboa. Faltou a alguns debates autárquicos durante a campanha eleitoral, demonstrando ausência de respeito com a democracia e a cidade.

A grande "ideia" é ser contra os ciganos, o que numa leitura simples à Constituição da República, leis nacionais e europeias, conclui-se rapidamente que não se pode discriminar ninguém pela etnia e cor de pele. Mais absurdo ainda, a discriminação racial é crime pelo Código Penal português. Ou seja, comete crimes e ninguém faz nada. É o que dá viver num país “brando”.

Os votos que obtiver, serão, por protesto ou "agarrado" ao efeito nacional André Ventura, que, como quase todos os partidos de extrema-direita na Europa, irá nascer e morrer em pouco tempo.

 

Gonçalo Monteiro (Bloco de Esquerda) - Candidato que apenas surgiu nos debates, sendo difícil qualquer avaliação. Além de visivelmente impreparado e com um discurso fraco e sem ânimo, foi, à semelhança do candidato do Chega, promover políticas e ideias de âmbito nacional e medidas que apenas podem ser tomadas pelo poder central. Claramente, o BE apenas quer marcar presença nas principais cidades de forma a manter o símbolo e nome em circulação. No último debate, apresentou-se melhor preparado, mas ainda assim fraco para a exigência governativa local.

 

Como disse Churchill, “a oposição nunca ganha eleições, é sempre o Governo que as perde”.

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