Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mais Beja

14
Mar21

Beja está deprimida na sua pequenez

Isolados 2.jpg

A cidade Beja mantém-se no seu estado: letárgica, sem progresso ou movimento crescente.  Nos últimos 4 anos não houve a inauguração de obras ou projetos estruturantes. Beja está como esteve nos últimos 15 anos. Parada no tempo. O único grande projeto foi a abertura do Beja Retail Park, sendo que todas as melhorias criadas em redor (estradas e passeios), foram gentilezas do privado. Há anos que se fala em construir uma passagem para peões, que atravesse o IP8, e até hoje nada. Algo tão simples, como semáforos e uma passadeira ou uma passagem de nível, não foi concretizada (pelo Estado, através da Infraestruturas de Portugal).

Hoje, o sonho dos jovens é morar fora de Beja, como se esta fosse uma grande metrópole cheia de barulho, trânsito e poluição. Não, não tem nada disso. Mas também não tem nada para dar. É um ser morto. Há uma debandada de residentes para as aldeias e vilas em redor, porque sentem, que viver em Beja não lhes traz benefícios, face viver em Beringel, Albernoa ou Vidigueira. Algo impensável. Outro motivo para tal, é não existir habitação a custos controlados. Comprar casa em Beja sempre foi caro. E já alguém tentou mudar isso? Não. Também algo impensável.

Lisboa é cara porque tem os estrangeiros que fazem elevar o preço das habitações. Em Beja não há estrangeiros ou a “gentrificação” provocada pelo turismo.

Aos leitores, que já começaram a pensar sobre a resposta ao que escrevi em cima, digo apenas: Pensar pequeno, nunca nos irá tornar grandes. Quando o executivo camarário diz que instalar 4 moloks (contentores de lixo), reparar 200 metros de estrada (quando se esquece de criar/reparar passeios ou iluminação pública) ou mudar 7 candeeiros de lâmpada incandescente para luz LED é um grande feito, nunca nos irá tirar da “aldeia” em que vivemos. Isso poderá dizer um presidente de junta de freguesia, que tem poucos recursos materiais, humanos e financeiros. Ou, de que vale reparar 5 quilómetros de estrada, se, entretanto, há novos 10 quilómetros em péssimas condições?

A Câmara Municipal de Beja tem um orçamento de 38,9 milhões de euros e 601 trabalhadores em 2021! Porra, não se poderia fazer mais?!

 

Beja nada ganhou, como muitos contrariamente diziam, ao ter uma câmara da mesma cor política do Governo central. Diziam que iria haver progresso e investimento. Nada se concretizou. A expansão do único hospital mantém-se fechada na gaveta. A eletrificação da única linha de comboio não avançou. O IP8 está num estado lastimável, sendo inclusive gerador de acidentes, havendo o sucessivo adiar de obras para o ano seguinte. O novo tribunal continua por realizar, com verbas tão baixas, que nenhuma empresa construtora apresenta candidatura. Ou a não reabilitação do Museu Regional de Beja, que se encontra num estado de penúria, com claros prejuízos para o edifício e obras lá existentes, apesar de  inúmeras promessas.

E tudo é isto é uma incongruência, quando antes da pandemia, o país financiava-se a juros de quase 0%, recebia fundos europeus a potes, atingiu pela primeira vez um superavit orçamental, sem austeridade e num Governo socialista, liderado por António Costa. E o que deram essas boas notícias? Nada. Não houve sequer um único projeto em Beja que alterasse, um pouco, o seu rumo. É desconcertante, mas é a realidade.

 

Haverá gente capaz de mudar o rumo? Dúvido muito.

5 Comentários

  • Imagem de perfil

    Mais Beja 15.03.2021

    E quem é essa pessoa? Irá surgir numa das candidaturas às autárquicas deste ano?
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo 29.03.2021

    Essa pessoa é você, eu e todos os munícipes que quiserem melhorar a terra onde vivem.
    Não temos de estar à espera de um dom Sebastião que vem mudar a cidade.
    Temos de ser a mudança que queremos ver.
  • Imagem de perfil

    Mais Beja 29.03.2021

    Essa frase, apesar de bonita e apelativa, quando colocada em prática, é um vazio. Porque não sou eu, você ou grupo de bejenses que irá pavimentar uma estrada, limpar as ruas, criar jardins em bairros da cidade onde não existem, abrir o museu de Banda Desenhada, impedir o estacionamento de veículos em cima do passeio, etc.
    Se tiver uma perna partida, só o ortopedista poderá resolver o problema. Aqui, só a câmara e/ou junta de freguesia podem resolver.
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo 29.03.2021

    Compreendo o que diz, mas ainda ontem vi um exemplo que demonstra o que eu digo.
    Em Campo Maior não existia uma creche para as crianças que a vila tem, a o sr Rui Nabeiro e a Delta decidiram criar uma creche para as crianças, porque se estivessem à espera dos do costume, nunca mais.

    Em Oeiras existem vários exemplos de cidadãos que se juntam e são capazes de fazer muita coisa: parques, pontes pedonais, estacionamentos.

    O que acho estranho é que aqui num local que se diz tanto da comunidade afinal a comunidade esteja sempre à espera das entidades (in)competentes e não seja capaz de se mobilizar. Sinto falta de iniciativa privada e quando digo iniciativa privada não digo empresas mas sociedade civil organizada sem fins lucrativos.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.