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Mais Beja

09
Fev21

Futuro hospital privado de Beja – Sintoma da falha do Sistema Nacional de Saúde

Ampliação do Hospital José Joaquim Fernandes -

FONTE: BETAR

 

A presente publicação não pretende ser contra o futuro hospital privado de Beja, do grupo HPA, porque em qualquer estado democrático e desenvolvido, deverá sempre existir a iniciativa privada e a liberdade de escolha de cada cidadão. Mas porque surge um hospital privado em Beja ou noutro ponto do país?
Os hospitais privados surgem devido ao facto de o Estado, através do SNS, não dar resposta e não corresponder às expectativas dos cidadãos, que pagam, diretamente (taxas moderadoras) ou indiretamente (elevados impostos), os cuidados de saúde, que recebem ou receberão. Ou seja, surgem porque há falhas no sistema de saúde. No Reino Unido, praticamente não há sector privado na saúde, porque o NHS (National Health Service), presta serviços de saúde universais, rápidos, eficazes, de elevada cobertura e qualidade, respondendo às necessidades de milhões de cidadãos.
O orgulho, provinciano, de ter um hospital privado, é o sintoma do abandono político no SNS.

O Hospital José Joaquim Fernandes (HJJF), o único hospital do Baixo Alentejo, e que só por este simples facto deveria merecer mais investimento do Estado, apresenta elevadas carências em todas as áreas: falta de recursos humanos (médicos de várias especialidades; falhas de serviços essenciais por falta de médicos ou só haver 1 ou 2 para determinada especialidade), equipamento (os atuais são velhos e desatualizados), camas e serviços especializados (ex.: cuidados paliativos ou a prometida abertura da hospitalização domiciliária), tendo-se tornado um “hospital-pobre-contetor”, porque se antes já realizavam as consultas externas de pediatria ou a equipa de Cuidados Paliativos Beja+ tem a sua “sede” em contentores, problema que persiste há vários anos, hoje temos a urgência covid e a urgência pediátrica covid também em contentores.

Em suma, o não investimento no SNS, em geral, e no HJJF, em particular, abre duas grandes fendas: 1) Impõe-se a entrada de privados, levando à saída de profissionais de saúde do público, tornando o SNS mais frágil. 2) O acesso a cuidados de saúde melhores e céleres são transferidos para o sector privada, excluindo pessoas de classe média, baixa ou pobre, sem seguro privado ou ADSE, deixando esses cuidados para as classes média-alta e alta, terminando por completo a universalidade e equidade no acesso aos cuidados de saúde. Estamos perante a criação de 2 níveis de cuidados de saúde em Portugal: um para ricos e outro para carenciados.
Outro problema social, é a revolta das pessoas ao não terem acesso a bens de primeira necessidade. A constituição do SNS após a ditadura foi um pilar de paz, harmonia e progresso da nação, tendo-nos tornado um país melhor só por esse facto, sendo que até hoje, apesar de algumas falhas e má fama, o SNS é acarinhado por todos os portugueses, sendo uma das áreas que nos coloca no top mundial, sendo inclusive alvo de notícias e estudos bastante elogiosos.

Como disse no início, não sou contra hospitais privados ou qualquer iniciativa privada. Sou contra, o público perder qualidade através do abandono e desinvestimento em recursos humanos, materiais, equipamentos e infraestruturas, “empurrando” os portugueses para o privado, com enormes custos, excluindo uma grande parte da população a cuidados de saúde de qualidade e com tempo de resposta aceitável.

 

É fundamental haver pressão das comunidades locais, grupos de interesse, como por exemplo, associações ou partidos políticos, de forma a pressionar os governantes a investir no SNS. Porque no final, quem garante a saúde e cuidado de todos nós, e bem se vê na pandemia do COVID-19, é o Estado através do SNS.

 

A imagem desta publicação, representa o projeto de expansão do Hospital José Joaquim Fernandes, de 2004. Estamos em 2021…

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