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Mais Beja

14
Nov23

Hospital de Serpa: o hospital que não o é

Mais Beja

 

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O chamado hospital de Serpa, também designado por Hospital de São Paulo, gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Serpa, pretende criar um serviço altamente especializado e complexo como um bloco operatório. Quando uma simples unidade de saúde, sem médicos, sem urgência, sem serviço de imagiologia, sem serviço de sangue ou serviço de laboratório é definida como hospital, o assunto começa mal.
O Estado, e o poder local, míope e sempre a prometer obras megalómanas para garantir votos, mantendo o status quo, quer dar aos moradores de Serpa um prémio, que é como dar um Ferrari a uma família que passa fome.
Assim, o Partido Socialista, pela mão do deputado Pedro do Carmo, promete um investimento de 4.8 milhões de euros num Bloco Operatório em Serpa. O "hospital" de Serpa não consegue cumprir um contrato com o SNS de garantir urgência básica 24h/dia, 365 dias por ano (Observador: "Misericórdia de Serpa com urgência hospitalar fechada por falta de médicos"), porque não consegue contratar médicos, mas os políticos, locais e nacionais e decisores locais, julgam que vão garantir cirurgiões, algo ainda mais raro na área médica em Portugal, comparativamente a médicos de clínica geral. O Hospital José Joaquim Fernandes (Beja), este sim um hospital, uma vez que possui, além de internamento em várias especialidades médico-cirúrgicas, serviços vitais de apoio ao bloco operatório, como são os serviços de sangue, laboratório, imagiologia e unidade de cuidados intensivos (24h/dia), um bloco operatório, com várias salas para dar resposta a situações de urgência ou emergência, equipas de enfermagem e auxiliares dedicadas, formadas e capacitadas para prestar cuidados de saúde de elevada qualidade, tendo recentemente sido organizado recentemente o "Fórum Nacional de Bloco Operatório" em Beja (Rádio Pax: "Beja é palco do Fórum Nacional de Bloco Operatório") não recebe qualquer investimento, em especial, nos recursos humanos, de forma a prestar os cuidados de saúde que a população que serve necessita. Perante isto, é óbvio que a cidade de Beja, capital de distrito, vê-se esquecida, tanto na área de investimento, quer na atração de médicos. No futuro, teremos cirurgiões a trabalhar num sítio que não é hospital, e o hospital de Beja, com salas de bloco operatório, equipas capacitadas e todos os serviços de apoio, altamente capacitadas e formadas, paradas.

 

Outra gigantesca mentira neste debate, proferida pelos apoiantes do hospital de Serpa, que é dizerem que o "hospital" de Serpa tem serviço de internamento. É falso. O que há é uma unidade de cuidados continuados, com equipa de enfermagem e auxiliares 24h/dia. Não é um serviço de internamento na área médico-cirurgica, ortopedia, cirurgia geral, urologia, ginecologia ou medicina. Aliás, não tem nada haver.
Uma aberração, é quererem construir um bloco operatório, num edifício do século XVII, que duvido, ofereça a segurança, conforto, arquitetura e engenharia que obriga um hospital a ter, proporcionando todo o conforto e segurança aos utentes e profissionais que lá irão trabalhar. Errata: Mais Beja, vem assim clarificar que o centro cirúrgico, designada por “Unidade Médico-Cirúrgica – Misericórdia de Serpa”, já se encontra construído, num edifício totalmente novo, como visível neste vídeo, e situa-se junto à Unidade de Cuidados Continuados Senhora de Guadalupe (Avenida Simon Bolivar, em Serpa). Grato pela informação transmitida nos comentários, que desconhecia.
Outro mito, é a capacidade de gestão, porque não basta colocar equipamentos, porque estes não operam sozinhos os doentes. É necessário recursos humanos (que não existem) e uma equipa que garanta toda a capacidade de gestão e viabilidade financeira e económica. Recordo as várias notícias de falta de pagamento aos trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Serpa (A Planície: "Santa Casa de Serpa falha salário e ainda tem em dívida subsídio de Natal"), um flagelo social, quando pessoas não recebem o seu vencimento para fazer face às despesas. É observar o stress e desgaste mental que sofreram os trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Serpa.

 

Esta proposta, a concretizar-se, é um despesismo absurdo, numa região com falta de recursos humanos e financeiros.
Construir a casa pelo telhado, sempre deu tragédia.

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