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Mais Beja

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20
Jun14

José Seguro

Pior que um populista, só um populista lançar ele próprio medidas populistas antes das eleições e acusar o seu opositor de ser populista, quando nada disse. E em Portugal tudo pode piorar, quando o primeiro é líder do partido há 3 anos, e só agora, quando vai cair do cavalo, se torna populista, o modo mais simples de ganhar votos.

É devido a este perfil de políticos, sem conteúdo ou matéria, fabricados no interior do partido, sem história, sem currículo, que o País chegou ao estado atual. O atual líder do PS só tem imagem, mas para construir essa imagem tem que andar com 3 especialistas em marketing e comunicação atrás para lhe dizer onde meter o pé, tirar selfies e que sorriso deve colocar.

José Seguro quer governar. Ponto final. Prova disso é a sua fixação ao afirmar todas as semanas que em 2015 vai governar. Não tem homens e mulheres para o seu governo. Não tem programa, além de 80 medidas que nada dizem e cabem em todos os partidos, da esquerda à direita, de tão abstratas que são.

Nas primárias que se realizam em setembro há um grande perigo: militantes dos partidos da oposição, que vão desde BE ao CDS, irem votar no Seguro. Todos sabem que o António Costa tem um currículo impressionante para o cargo de Primeiro-Ministro. Não é por acaso, que todos os partidos, à exceção do PSD, pedem eleições antecipadas. Para apanhar o mais poderoso possível adversário em contrapé. A política tem muito de tática e estratégia. As pessoas e as ideologias são secunárias.

Até setembro vai ser um sofrimento. Não pelo calor ou pelas novas medidas de austeridade que virão – a isso o povo já está habituado – será ouvir este senhor a debitar disparates como quem bebe água, num dia de 42º C, às 15 da tarde, em Beja.

6 Comentários

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    Mais Beja 21.06.2014 18:49

    • Deputado na Assembleia Municipal de Lisboa
    • Deputado à Assembleia da República
    • Vereador da Câmara Municipal de Loures
    • Membro do Secretariado Nacional do PS
    • Membro do governo responsável pela Expo'98
    • Deputado e vice-presidente no Parlamento Europeu
    • Ministro de Estado e da Administração Interna do XVII Governo Constitucional
    • Ministro da Justiça do XIV Governo Constitucional
    • Ministro dos Assuntos Parlamentares do XIII Governo Constitucional
    • Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares do XIII Governo Constitucional
    • Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (2 mandatos)
    Encontre outro político, com idade e energia, com igual currículo em Portugal.

    Agora diga-me o currículo do António José Seguro, e comparemos.

    Relativamente ao assunto dos cantoneiros de Lisboa: há um problema e resolveu-o. É esse o papel dos governantes: resolver os problemas e melhorar a qualidade de vida do povo.
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    se eu pudesse... 21.06.2014 22:47

    Foi nomeado para a maioria dos cargos mencionados, eleitos para alguns.
    Não estou a dizer que o Seguro é melhor, para mim são farinha do mesmo saco, e vou-lhe dizer porque, como dizia o Medina Carreira, que experiência têm da vida? Sabem lá o que é gerir uma empresa? chegar ao fim do mês e ter que inventar dinheiro, para não falhar salários, seguranças sociais, iva's, pagamentos por conta, irs....

    Não estamos a falar propriamente de um Pires de Lima, de um Paulo Macedo.

    Em relação aos cantoneiros acha que foi uma boa solução? é por isso que as autarquias estão como estão. Com o país a atravessar uma grave crise económica\financeira e vá de contratar mais pessoal. Isto é melhorar a qualidade de vida do povo? Esses funcionários vão receber vencimento, pago pela administração central, que têm de ir buscar o dinheiro a algum lado, pasme-se aos nossos impostos...ou seja, para contentar 150, sacrifica ainda mais todos os contribuintes líquidos. Se fosse o António Costa a pagar os vencimentos, epá até podia contratar 15.000, mas não, vamos ser todos nós a pagar, nem sequer apenas os Lisboetas, mas sim todos os Portugueses.
    Se tiver hipótese, leia o artigo no expresso do antigo director do diário económico sobre António Costa, e a sua famigerada "terceira via", disseca bem o flop que é António Costa.

    Ah, e não esquecer que António Costa foi nº 2 do Grande Líder, saudoso Timoneiro José Pinto de Sousa, a.k.a Sócrates.

    Por isso lhe digo que concordo em absoluto que a maior diferença é o tom de pele, além de alguma maior truculência e sentido de humor.

    just my 2 cents.
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    Mais Beja 22.06.2014 19:26

    Ao contrário de outros países, como os Estados Unidos, os futuros governantes, estudam nas melhores universidades do País, trabalham nas melhores empresas, tornam-se ricos, e depois sim, vão para a política. Em Portugal isso não existe. Começam nas juventudes dos partidos e estão na política até à reforma. Ou seja, a política é um trabalho e faz-se carreira. Não é a prestação de um serviço público, no local se entra e se sai.
    É o que temos e não vale a pena dizer que é ao contrário.
    Não é por contratar cantoneiros, que recebem o salário mínimo que o País está assim. Não são os pobres que levam países à falência. Em nenhuma parte do Mundo isso aconteceu.
    Cantoneiros, polícias, enfermeiros, etc, prestam um serviço público, essencial a qualquer sociedade desenvolvida. Não é uma despesa. Os cantoneiros limpam as cidades, mantendo as ruas salubres e evitam doenças; os polícias garantem a segurança de pessoas e bens; os enfermeiros prestam cuidados de saúde a toda a população. É para isto que pagamos impostos. Não para ajudarem em 6.000.000.000€ o BPN, que foi o banco dos corruptos e das negociatas. Ou o Estado dar benefícios fiscais de 200.000.000€ à EDP, que tem lucros de 1.000.000.000€ por ano e vende ao povo português a 3ª eletricidade mais cara da Europa, quando ao mesmo tempo o Estado fecha museus porque não têm 1.000.000€ por ano.
    Relativamente ao Sócrates e seu passado, garanto-lhe, há piores. Há um Primeiro-ministo que fez descer todos os indicadores de desenvolvimento de um país aka Pedro Passos Coelho.
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    se eu pudesse... 28.06.2014 08:32

    Pena pouca gente ler, ou sequer tentar perceber estas coisas. Preferem viver nas verdades que acreditam.

    Opinião

    José Gomes Ferreira

    O José Sócrates da Banca e a estranha aliança que o tem apoiado

    O “Não!” de Maria Luís Albuquerque, Pedro Passos Coelho e Carlos Costa ao pedido feito pelo banqueiro que foi “Dono Disto Tudo” para obter um financiamento através da CGD e do BCP é bem maior que um simples não. É mais um sinal de que o País está a mudar. Mas há muita gente que ainda não percebeu. Têm medo do futuro. Para evitar as mudanças, estão conjugados numa estranha aliança – uma aliança transversal, que vai de figuras da democracia-cristã até ao Bloco de Esquerda. E que, sem o saber, é a melhor aliada dos banqueiros que atiraram o país para a pré-falência.

    O Portugal de hoje tem figuras da democracia-cristã que estão contra os cortes nas pensões, quaisquer cortes, mesmo sabendo que no caso do regime público de pensões, as receitas não chegam a cobrir 50 por cento das responsabilidades. São os mesmos que apareceram a defender a todo o custo a manutenção dos colégios do Ministério da Defesa, mesmo sabendo que os contribuintes estavam a pagar um preço varias vezes mais elevado por aluno do que a média de custo no ensino oficial.

    O Portugal de hoje tem figuras da social-democracia, que já foram ministros das Finanças e candidatos a primeiro-ministro, que defendem publicamente uma reestruturação da dívida pública. Lançaram o respetivo manifesto a poucas semanas da saída de Portugal do Programa de Assistência Financeira, sem cuidar de medir as consequências. Nas suas intervenções públicas, muito frequentes, nunca referem o que está a acontecer à Argentina. Não lhes dá jeito. Defendem que os cortes de pensões e salários não resolvem o problema das contas do Estado; que em vez de austeridade se deve apostar no crescimento, como se fossem políticas antagónicas; e que a redução do défice devia ser feita a um ritmo muito mais suave. De notar que a maioria destes especialistas tem um rendimento direta ou indiretamente garantido pelo Estado e não tem a preocupação de pagar salários a muita gente ao fim do mês.

    O Portugal de hoje (ainda) tem um Partido Socialista com um líder que disse que é preciso pôr um limite na despesa corrente primária do Estado, que antes de falar de direitos deve falar-se de deveres e que é preciso promover a sustentabilidade da Segurança Social, da Saúde e da Educação, para o Estado poder continuar a manter estes apoios sociais. O mesmo Partido Socialista do Portugal de hoje tem notáveis que acham que este discurso é um perigo, que a austeridade falhou em toda a linha, que os cortes de salários e pensões devem ser imediatamente devolvidos, que deve ser decretado já o crescimento económico e o emprego e que o Governo só não o decreta porque não quer e só faz austeridade por crueldade. Este PS do Portugal de hoje quer calar o PS do atual líder, e por isso quer pô-lo fora. O candidato a novo líder do PS é referido como já tendo garantido o apoio da Banca, banco verde incluído. O atual líder socialista é dado como demasiado independente e distante dos grupos de interesses polarizados em torno da banca tradicional. Por isso, não (lhes) interessa.

    O que o Bloco de Esquerda, o PCP, parte do PS, parte do PSD e parte do CDS-PP e dos sindicatos querem é que o Estado continue a fazer défice e a somar dívida. Que continue a pedir dinheiro, não importa a quem

    O Portugal de hoje tem um Partido Comunista que quer aumentar os salários e as pensões. Com esta conversa até aumentou a votação. E se ganhasse até aumentava mesmo os salários e as pensões. Com dinheiro do Estado pedido a crédito. Ao estrangeiro. Através dos mesmos bancos de sempre.

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    se eu pudesse... 28.06.2014 08:32

    O Portugal de hoje tem um Bloco de Esquerda que encheu o país com cartazes a dizer que Nós Não Somos Dívida. Como se as despesas do até agora financeiramente desequilibrado SNS, não tivessem sido também cobertas com défice, logo com dívida pública; tal como a Educação, a Defesa, a Segurança interna e todos os serviços que o Estado presta mas que não tinha recursos para custear por completo.

    O que o Bloco de Esquerda, o PCP, parte do PS, parte do PSD e parte do CDS-PP e dos sindicatos querem é que o Estado continue a fazer défice e a somar dívida. Que continue a pedir dinheiro, não importa a quem. Que faça dívida direta em Obrigações do Tesouro, e indireta, em PPP, em engenharias financeiras para esconder o que se deve, porque acham que as pessoas são mais importantes que os números.

    O que querem é que o mesmo tipo de relação entre banqueiros, grupos económicos protegidos e decisores políticos continue a existir em Portugal, como sempre existiu. O que esta estranha aliança acaba por ser é a maior aliada dos banqueiros tradicionais, os que estão a sair de cena.

    Esta estranha aliança ainda não percebeu que o que está a acontecer ao grupo verde, dono do banco verde, é exactamente o mesmo que aconteceu com o país governado por José Sócrates - uma fuga para a frente, dívida sobre dívida, direta e indireta, reconhecida e por assumir, para alegadamente fomentar a economia e promover o crescimento, com engenharias financeiras e truques contabilísticos à mistura, para dar a ideia de que estava tudo bem. Ainda há poucos anos andavam juntos a querer fazer um novos aeroportos, linhas de alta velocidade e plataformas logísticas. O resultado viu-se.

    Teve de ser o regulador, Banco de Portugal, a proteger o BES dos seus próprios gestores. Tal como a Troika fez com o país. País que já está a mudar. O Grupo BES dono do BES, esse, resiste à mudança. Tal como a estranha aliança.

    As pessoas que a compõem a estranha aliança têm muitas qualidades. Fariam melhor em pô-las ao serviço do país, ajudando a corrigir graves erros de governação como privatizações de favor, proteção de mercados e grupos que nos roubam descaradamente em faturas de consumos domésticos e empresariais e a manutenção de burocracias que, essas sim, matam a economia. Fariam melhor em contribuir para a reforma do Estado e para cortes efetivos de pagamentos excessivos a operadores de energia, parcerias e outras negociatas, que existem para favorecer a parte da banca que é rendeira, especulativa e improdutiva. Fariam melhor em exigir que a banca apoie efetivamente empresas viáveis, exportadoras e não só. Os tais 33 por cento de empresas portuguesas viáveis que o presidente do BCE, Mário Draghi, apontou como não tendo acesso a crédito, desmentindo assim frontalmente alguns dos nossos banqueiros, que insistem que não há empresas viáveis sem crédito em Portugal.

    A estranha aliança seria efetivamente muito útil se obrigasse os políticos a construir um entendimento nacional sobre os grandes desafios do futuro. E são muitos, como todos sabemos.

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    Jornal Expresso Sexta,
    27 de Junho de 2014
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