Porque Beja está a morrer (segunda parte)

O investimento privado é uma situação inexistente e crónica no concelho de Beja. Se excluirmos o aparecimento de uma oficina ou stand de automóveis ou de um hipermercado, não existe geração de emprego no sector privado. A somar a isso, ocorreu a crise internacional e o surgimento do Governo mais destruidor e liberal pós 25 de Abril, causando a eliminação de um elevado número de postos de trabalho no sector público. Numa cidade praticamente dependente do emprego público, os jovens bejenses com elevadas qualificações e talento fluíram naturalmente para outras regiões de Portugal, nomeadamente Algarve e Lisboa, e para países estrangeiros. Isto acontece porque nesses locais, ao contrário de Beja, foi criado um ambiente de crescimento económico, que facilitou a vida empresarial, atraindo e saudando o investimento.
No caso dos 27 colegas que terminaram, juntamente comigo, o secundário, apenas 7 vivem e trabalham em Beja. Ou seja, 20 ex-colegas estão fora do concelho de Beja.
E as cidades são constituídas por quem? Por pessoas, que investem, consomem, geram negócios, constituem família e têm filhos, dão vida, passeiam e vivem a cidade.
Atualmente, a situação é ainda mais grave uma vez que o desmantelamento do Estado e dos serviços públicos, leva que as oportunidades de emprego na cidade sejam quase inexistentes. Não havendo pessoas para consumir, o sector privado retrai-se, fechando lojas, restaurantes, cafés, etc, levando à saída de ainda mais jovens da cidade.
Com isto, a cidade e o país, perdem a geração mais talentosa. E quem perde talentos, não conseguirá atrai-los.
Construir felicidade deveria de ser a missão de todos os bons governos em toda a parte.
Para uma boa governação, a melhor solução reside no desenvolvimento de condições básicas, que acredito, em Portugal estão satisfeitas, e nas oportunidades económicas e de emprego.
A solução? Não vou dizer como se inventou a roda. Não é necessário. Basta olhar para as cidades e regiões, que no passado tiveram sucesso, e mesmo com a forte crise, mantém-se ativas: Évora e Algarve, que conseguiram atrair fábricas, turistas, unidades hoteleiras, apoiaram e incentivaram a criação de lares e unidades de cuidados continuados, lojas de marcas internacionais, abertura de museus, etc.
Leia a primeira parte: Porque Beja está a morrer?