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Mais Beja

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02
Set19

Portugal, Baixo-Alentejo e as próximas eleições legislativas

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Os últimos 4 anos

A 5 semanas das eleições legislativas de 2019, de dia 6 de outubro, seria normal e expectável o Governo andar a fazer inaugurações. Não anda, porque nada tem para inaugurar. António Costa não pára de apresentar planos de obras públicas sem que tenha concretizado o que prometeu há 4 anos.

O tema dos transportes públicos, por exemplo, não se alterou. E porquê? O Governo não gastou um cêntimo no metropolitano, não gastou um cêntimo na CP, não gastou nada nos transportes fluviais, não gastou um cêntimo em novas estradas. Deu sim, ajudas financeiras a quem já comprava o passe de transporte público nos grande centros urbanos. Não resolveu nada.

Nos países desenvolvidos há serviços públicos de qualidade. Porquê? Porque estes são fundamentais para a redução das desigualdades, crescimento económico - ao contrário do que acontece em Portugal, em que o Estado é um autêntico empecilho -, e para a melhoria das condições de vida de todos os cidadãos.

Na entrevista ao Expresso, a 24 de agosto de 2019, António Costa diz, quando questionado sobre os serviços públicos: "Há situações pontuais em que tem havido problemas, mas temos encontrado respostas", e dá como exemplo de problema ultrapassado a "emissão de Cartões de Cidadão e passaportes.". Isto diz muito do Governo do Partido Socialista, uma vez que todos os dias, nos telejornais, assistimos a outra realidade.

 

Austeridade

Antes havia orçamentos retificativos. Hoje, há cativações. O António Costa e os seus compinchas mentem quando dizem que houve melhoria dos serviços públicos. Como se melhora, sem investir fortemente em recursos humanos, técnicos e materiais? É impossível.

A austeridade não é apenas da direita. É também da esquerda (PS, BE, CDU) que patrocinou estagnação dos salários, a ausência de investimento no SNS, as péssimas condições nos transportes público, rodoviários e ferroviários, a lentidão na Justiça, as desigualdades no acesso ao Ensino Superior, ao abandono de profissionais altamente qualificados, ao caos para pedir um Passaporte ou renovar um Cartão de Cidadão, etc.

Assim, fica provado a maior mentira do atual Governo: Não acabou a austeridade.

 

Impostos

A carga fiscal atingiu em 2018, 35,4% do PIB, novo máximo histórico. O Governo, como é hábito, aproveitou para subverter este indicador e dizer que os impostos só subiram por causa do dinamismo da economia. Ora bem, a carga fiscal compara os impostos e contribuições para a Segurança Social cobrados em relação ao PIB. Se estas receitas sobem mais do que o PIB, a carga fiscal sobe. Se crescem abaixo, desce. Não há que inventar.

Os impostos são na prática a conta pelos serviços públicos oferecidos. Qualquer cidadão admite uma carga fiscal mais alta se em contrapartida tiver serviços de qualidade. Neste aspecto, pagamos impostos como a Suíça e temos serviços públicos de um país em vias de desenvolvimento.

A política fiscal em Portugal trata a classe média como super-ricos. A mesma classe média que muito possivelmente ainda tem de pagar a creche dos filhos, um seguro de saúde e planos de poupança para a sua reforma.

 

Populismo

O populismo e o surgimento de novos partidos não existem como força dos tempos. Existem por culpa dos actuais políticos. Não são o alvo, são a causa. É preciso compreender o porquê, e a partir daí mudar. A realidade, diz-nos, que os jovens de hoje terão uma vida pior do que a dos seus pais. E isso diz muito da atual Europa.

A esquerda portuguesa fica surpreendido com o surgimento de movimentos incontroláveis e fora do corrente principal dos sindicatos portugueses. Aconteceu com os estivadores, enfermeiros, camionistas e motoristas de matérias perigosas. Vozes que o Governo não percebe e por isso menospreza, ataca e ridiculariza. Ou seja, a esquerda portuguesa, que tanto gosta de colocar-se ao lado dos trabalhadores contra os patrões, fez exatamente o oposto nos últimos 4 anos.

BE e PCP, vão ter uma campanha semelhante e comum aos últimos anos: prometer tudo a todos. É o populismo encapotado.

 

Sistema Nacional de Saúde

O SNS está prestes a colapsar. Se não for feito, o povo irá perder a 2ª maior conquista após o 25 de abril: o direito à saúde, universal e tendencialmente gratuita (a 1ª grande conquista foi a Liberdade). Parece a história de uma tragédia grega: o mesmo partido que criou o SNS, está prestes a matá-lo.

Contratar 1.500 médicos e 500 enfermeiros não chega, se estes não tiverem camas, aparelhos altamente sofisticados de diagnóstico, medicamentos, etc. Ou que um cidadão do Baixo-Alentejo, tenha de aguardar 12 meses por uma consulta de otorrinolaringologia em Lisboa.

O PS não parou nestes últimos 4 anos de se vangloriar pela redução do valor das taxas moderadoras na saúde. Isso melhorou o sistema de saúde, trouxe mais profissionais, novos hospitais e modernos equipamento de diagnóstico e tratamento? Não.

 

Baixo-Alentejo

Este sub-tópico poderia ter ficado em branco, uma vez que nada aconteceu. Apenas há a sinalizar parte da conclusão da A26. O curto troço já concluído, entre a A2 e Figueira dos Cavaleiros (Malhada Velha), está encerrado há vários meses porque existe divergências legais entre o Estado e a concessionária da autoestrada relativo ao acesso à praça da portagem. Este trágico acontecimento lesa, e muito, as pessoas, a economia local e nacional, bem como obriga os alentejanos a circular em estradas em péssimo estado de conservação e total ausência de segurança, como é o IP8. Ou seja, é uma não-obra pública porque está impossibilitada de ser usada.

 

Os próximos 4 anos

De acordo com as sondagens, o Partido Socialista ganhará as próximas eleições legislativas, sem maioria absoluta, sendo obrigado a coligar-se com 1 ou 2 partidos de esquerda. O futuro será igual ao passado, porque neste país pouco ou nada muda. Assim, viveremos com mais cativações, elevada carga fiscal que asfixia a classe médica, crise externa (Brexit, guerra entre China-EUA, crise no Brasil, etc) e preço elevado do petróleo. Além disso, continuaremos a salvar bancos e banqueiros, e teremos investimentos estruturantes apenas no papel e em vídeos 3D para divulgar nos meios de comunicação social e serviços públicos a colapsarem.

 

 

António Costa prometeu há 4 anos “virar a página da austeridade, relançar a economia e o emprego” (Programa Eleitoral do Partido Socialista, 2015). Passado este tempo, nada mudou. O sucesso das finanças deve-se a 3 fatores: BCE (Mario Draghi), turismo e cativações. O único controlado pelo Governo, foi as cativações, que levou à decadência de todos os serviços públicos. O resto, foi “sorte”.

António Costa mentiu. E continua a mentir. Mas isso nada interessa para um povo sem educação. Haja futebol, cerveja, praia e Fátima, que o resto, nós aguentamos (e pagamos).