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Mais Beja

18
Fev20

Que futuro há para o interior do país?

Mais Beja

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O interior do país, encontra-se esquecido, abandonado pelo poder central, envelhecido, atrasado em termos de infraestruturas fundamentais e esquecido pelo sector privado, pouco evoluído e com gestores abaixo do medíocre, que insistem em olhar para Portugal como se só houvesse uma cidade: Lisboa. O problema tem décadas, e tem persistido apesar das excitações e proclamações de cada vez que há eleições por parte de todos os principais partidos políticos. 

Mais do que proclamações solenes, discursos, debates, promessas de amor ao interior do país, precisamos de ações.

 

ECONOMIA

O motor de qualquer comunidade, cidade, região ou país é a sua economia. A Alemanha é o motor da Europa e apresenta superávits brutais, não por fazer discursos apaixonados como os nossos políticos, mas por fabricar carros, máquinas industriais, ferramentas, criar produtos inovadores e, posteriormente, vendê-los ao exterior. E se formos analisar onde se situam as sedes das maiores empresas e bancos alemães, estas encontram-se dispersas por todo o país, que é quase 4x maior que Portugal.

Graças ao investimento, é criado emprego, originando por consequência a abertura de mais escolas, centros de saúde, restaurantes, lojas, etc, gerando-se assim cada vez mais economia e emprego, entre outros efeitos colaterais positivos (ex.: mais arrecadação de impostos nacionais e municipais).

É preciso implementar medidas e políticas potenciadoras de investimento, público e privado, no interior do país. Cada posto de emprego que se conseguir no interior, é uma pessoa ou família que aí decide ficar ou fixar-se.

Abordando, o caso particular de Beja, quem investirá na abertura de um grande hotel ou grande empresa, se os acessos rodoviários são péssimos? Como se cria condições e uma boa imagem, quando as estradas são estreitas, cheias de buracos e inseguras? Ou o comboio, praticamente, não existe? Ou o único hospital do Baixo Alentejo não tem médicos nas várias especialidades 24h por dia, capaz de dar resposta a uma família que queira viver aqui e necessite de uma emergência?

 

GOVERNO E POLÍTICOS

A cada véspera de eleições, os líderes dos partidos e candidatos regionais passeiam pela nossa região, prometendo um novo e futuro maravilhoso, cheio de investimento público, e com isso, investimento privado. Para quem cá vive, a realidade, é bem distinta. Nos últimos 10 anos, as promessas não se têm cumprido. A única excepção é o investimento no sistema de regadio do Alqueva, que apenas acontece graças aos sucessivos financiamentos de fundos Europeus. Se tivéssemos à espera dos fundos nacionais, aposto que no local onde hoje se encontra a barragem do Alqueva, apenas haveria um charco.

O mais importante nos políticos regionais é não incomodar o partido e o status quo, porque a política é uma carreira, e depois dos 4 anos para os quais foram eleitos, é preciso continuar a “trabalhar”, para que os 4 anos no partido, perdão, “na causa pública”, como gostam de dizer, se tornem 40 anos. Não fosse o salário de qualquer político ou cargo público bem remunerado.

Há uns anos atrás, vários pessoas diziam-me: “Não vale a pena. Eles são todos iguais”. Hoje, passado vários anos, confirmo. São, na grande maioria, todos iguais: competência abaixo do medíocre, incultos, impreparados, lambe-botas e falsos, tendo como principal objetivo servir o partido ao invés da causa pública. Se não, porque os deputados eleitos pelo distrito de Beja votaram, nos últimos 5 anos, em Orçamentos de Estado que nada dão ou concretizam na sua própria região?

O problema não é a falta de dinheiro, são as opções do Governo e dos partidos que apoiaram, no último Orçamento de Estado (2020), um documento que dá prioridade a outros interesses instalados, trazendo injustiças e promovendo desequilíbrios nacionais. O país viu como foi fácil arranjar 850 milhões de euros para o Novo Banco. No entanto, nos últimos 10 anos o que tem acontecido é o fecho de postos da GNR, escolas, centros de saúde, repartições de finanças, estradas insegura, linhas ferroviárias encerradas, etc.

 

LISBOA

Hoje em dia, quem vive em Lisboa, essa grande metrópole cosmopolita, centro do desenvolvimento do país, trocou o verbo ‘viver’ pelo verbo ‘sobreviver’. Às classes média-alta, média, média-baixa e baixa, foi-lhes barrado o direito de viver em Lisboa. Os salários encontram-se estagnados há vários anos e a especulação imobiliária fez explodir o valor de uma casa ou renda para valores estratosféricos, alterando por completo a arquitetura social, eliminando da cidade quem não é rico ou tem pais ricos. Os que lá vivem, contam cada cêntimo.

Para piorar, o dinheiro e tempo gasto em deslocações, impossibilita as pessoas de viverem para além da dicotomia casa-trabalho. Lisboa, tornou-se um clube elitista, onde só vive quem tem altos salários, levando a uma pressão social-económica-mental violentas. Essa geração de “lisboetas” e “millennials”, no futuro, pagará uma fatura elevada. No entanto, que remédio tem a geração millennials, se fora de Lisboa não há oportunidades para todos?

 

EM SUMA

No fim do dia, quase tudo se resume a emprego e salários capazes de satisfazer as necessidades de todos os indivíduos. Para tal, é fundamental ter uma economia forte, inovadora, diversificada e resiliente. O Governo tem um papel preponderante, nomeadamente, na criação de políticas e benefícios assentes na melhoria da mobilidade, educação, redes de telecomunicações e de saúde no interior do país, capazes de atrair investimento para quem se instala no interior.

 

Respondendo à pergunta que dá título a esta publicação, tudo dependerá do sector público e privado mudarem o rumo do nosso (fatal) destino.

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